Conto: Saideira
Para começar a postar... Um texto com uma temática rara na minha escrita. Final Feliz.
E claro...para não assustar os leitores imediatamente!
Ela estava esperando o namorado.
Chorava.
Olhava
o céu azul, o sol e sentia a brisa batendo em seu rosto molhado.
Chorava.
Ele
entrou no terraço. Abraçou e beijou-a apaixonadamente.
- Te
amo – disse ele.
- Te
amo tanto... Mas tanto... – disse ela entre lágrimas.
-
Você fez a carta? – perguntou ele.
-
Fiz, deixei na cozinha e você?
-
Também fiz, coloquei embaixo do travesseiro que minha mãe dormia, quando era
viva.
-
Esse acidente... – suspirou ela.
-
Quem diria que a vida iria juntar o filho da vítima e a filha do considerado
assassino. – ele riu ironicamente.
- Eu
me pergunto isso todos os dias...
Ela
estava de vestido, óculos escuros e sapatos All Star.
Ele
estava de jeans, camisa preta e com uma mochila nas costas.
O
sol ficava mais forte.
-
Tenho medo... – ela falou deitada com a cabeça nas pernas dele.
-
Não tenha medo de nada! Foram nossos pais que começaram isso tudo, eles não
deveriam ter feito o que fizeram!
***
-
Você não pode namorar ele! – gritou o pai.
-
Você não tem o direito de mandar na minha vida e no meu coração! – gritou para
o pai.
-
Posso sim, sou seu pai!
- E
um assassino também, matou a mãe do meu namorado!
E
ela sentiu o peso da mão do pai no rosto. Chorando, subiu para o quarto do pai.
- Eu
te odeio! – gritou para o pai, que subia as escadas atrás dela.
-
Pode me odiar, mas você não vai namorar o filho do homem que me colocou na
prisão por cinco anos! – disse o pai – E isso foi à gota d’água para o que
quero fazer a muito tempo... Na próxima semana, vamos nos mudar de cidade.
Ela
colocou a cabeça no travesseiro e chorou a noite toda.
***
-
Nossos pais não entendem o que nós sentimos... – disse ele, tirando-a do
devaneio.
-
Nunca entenderam. O passado consome os dois.
-
Nós não temos culpa do que aconteceu. – disse ele indignado.
-
Por isso estamos aqui... Dança comigo uma ultima vez? – pediu ela
levantando-se.
-
Claro! Minha amada dama.
- Eu
te amo! – ela disse abraçando-o.
-
Também te amo. – ele disse passando a mão na cintura dela.
E
dançaram.
***
Ele
entrou em casa, o pai o esperava sentado na cozinha, como se ele tivesse feito
algo muito errado.
-
Você namorando aquela vadia! – afirmou o pai.
-
Não a chame assim! – disse ele.
- O
pai dela matou sua mãe! Por acaso você é um sádico? – questionou o pai
indignado.
- O
pai dela. Não foi ela!
- Dá
no mesmo, filho de peixe...
-
Pensei que você entenderia, pelo menos dessa vez! – disse ele com lágrimas nos
olhos.
-
Não entendo e nunca irei entender... A filha do assassino! – gritou o pai –
Muitas meninas no mundo e logo ela!
Ele
chorou.
E o
pai saiu da cozinha.
-
Estou decepcionado, – disse o pai no umbral da porta – irei te transferir de
escola para vocês não terem mais contato.
***
A
dança acabou.
Choravam.
-
Nosso amor vai sobreviver? – perguntou ela abraçada a ele.
-
Claro que vai.
-
Você pegou o carro do seu pai? – perguntou ela curiosa.
-
Sim, está estacionado lá embaixo.
-
Vamos... Está na hora! – disse ela sorrindo.
Eles
desceram.
Ela
olhou para ele e sorriu.
Entraram
no carro.
E saíram
da cidade sem olhar para trás.


Achava que eles iam se suicidar, mas....
ResponderExcluirEu também tava nessa mesma vibe. Mas enfim. Gostei do texto, no final das contas.
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